Energia solar vale a pena? Como calcular o payback e o que ele não inclui

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Energia solar vale a pena? Como calcular o payback e o que ele não inclui

Três orçamentos, três “anos para se pagar”. O menor quase nunca usou a mesma conta.

Prazo = custo estimado do sistema ÷ economia do mês. Economia do mês é o que você paga hoje menos a “nova conta” do modelo. Essa nova conta fica com o maior entre o mínimo da rede (30 / 50 / 100 kWh, grupo B) e um pedágio simplificado de 30% pelo uso da fiação — não a soma dos dois — e acrescenta COSIP de exemplo. O 30% não é a TUSD Fio B da Lei 14.300: em 2026 a lei cobra 60% do Fio B naquele ano (75% em 2027, 90% em 2028); não fica 60% pelos 25 anos da tela. Não é a conta do banco. Não inclui a taxa total do financiamento (CET — o que o banco realmente cobra, não só a taxa do comercial). Fatura com demanda em kW (grupo A) fica de fora.

Onde achar o kWh na fatura: campos da conta. Quantidade de placas (585 W, 80%, HSP — Horas de Sol Pleno, o sol médio do Estado —, +1): metodologia. Preço chave na mão (turnkey — tudo no mesmo contrato) e faixa ±15%: quanto custa. Aqui o recorte é o prazo — e o que essa divisão deixa de fora.

Como a tela chega nesse prazo

Payback da tela: custo estimado dividido pela economia do mês — à vista, sem juros

Você informa kWh, valor da conta, Estado e ligação. O modelo estima as placas, monta um custo-base (inversor + módulos + mão de obra, premissas internas) e abre na tela uma faixa de investimento 15% abaixo e 15% acima desse custo-base. O prazo, porém, usa o custo-base — o meio da faixa — dividido pela economia do mês.

Economia do mês = valor que você colou menos a nova conta estimada. A nova conta não zera: o modelo fica com o maior entre o piso da rede e o pedágio de 30%, mais COSIP de exemplo. Por isso duas casas com a mesma fatura em reais e kWh diferentes saem com prazos diferentes: a tarifa implícita (R$ ÷ kWh) muda o valor de cada quilowatt-hora compensado.

O detalhe das placas continua na metodologia. O detalhe da faixa em reais continua em quanto custa. Esta página não reabre nenhuma das duas contas.

A conta de luz ligada à rede não chega a R$ 0

Proposta que vende “conta zerada” está vendendo outra regra. Sistema ligado à rede da concessionária, em grupo B, continua pagando um mínimo para a casa permanecer conectada. No modelo: 30 kWh monofásico, 50 kWh bifásico, 100 kWh trifásico. A COSIP é da prefeitura, não deste piso; neste modelo entra só um valor de exemplo.

O que sobra neste modelo (o maior entre piso e pedágio de 30%, mais COSIP de exemplo) impede o slogan de “apagar a fatura”. Num exemplo típico da tela — 400 kWh bifásico no Paraná, fatura de R$ 480 — a nova conta fica na casa de R$ 152: redução da ordem de dois terços em reais, não 95% e não 100%. O simulador desconta o mínimo antes de dimensionar as placas. Quem promete prazo com economia de 100% da fatura está usando um número que esta tela não usa.

O que antecipa ou alonga o número da tela

O prazo desta calculadora muda com o que o formulário vê. Não muda com o que a visita ainda vai achar.

O que entra no formulárioEfeito no prazo da tela
Tarifa implícita alta (R$ da conta ÷ kWh)Antecipa — cada kWh compensado vale mais
Tarifa implícita baixaAlonga
HSP do Estado mais baixaCostuma alongar: mais placas, custo-base maior para o mesmo kWh
Consumo muito baixoAlonga; abaixo de um limiar a tela nem recomenda
Juros de financiamentoNão entra — o prazo da tela não muda sozinho
Sombra, telha, orientaçãoNão entra — a tela não pergunta isso

Se a tarifa da concessionária subir de verdade no ano que vem, o prazo real encurta. O da tela só muda se você rodar de novo com a conta nova. A divisão é linear: não embute reajuste futuro da ANEEL.

O que o prazo da tela não inclui

O número em anos não inclui:

  • limpezas futuras e manutenção (isso está em manutenção das placas);
  • troca de inversor daqui a uma década;
  • juros, IOF (imposto sobre o crédito) e CET de financiamento;
  • taxa de autorização da sua distribuidora;
  • adequação de padrão de entrada (quadro e medidor), andaime, reforço de telhado;
  • inflação da tarifa além da premissa do modelo.

Use o prazo para ver se o PDF do integrador está no mesmo planeta. Não use como data contratual de “investimento pago”. O aviso legal diz a mesma coisa.

Há dois outros números na tela de resultado que não são o prazo de retorno:

  • Economia em 25 anos — economia anual do modelo vezes 25, sem degradação do módulo e sem inflação. Horizonte ilustrativo, não garantia.
  • Poupança vs. solar em 10 anos — barras com premissas internas (6,12% a.a. não é a TR oficial; 5,6% a.a. de tarifa sem fonte). A poupança mostra só juros; o solar mostra economia inflacionada. Comparação ilustrativa, outra conta que o prazo em anos.

Financiar não altera o prazo da tela

A divisão da Home é à vista: custo-base ÷ economia. Parcela de banco, CET e IOF não entram nesse verde. Financiar pode fazer sentido no fluxo de caixa e, ainda assim, alongar o retorno real. Esse recorte — linha verde, parcela fixa (Price) versus parcelas que começam altas e caem (SAC), o que a calculadora não enxerga — está no artigo de financiamento, não neste.

Se o consumo subir no ano que vem

Split novo, piscina, carro elétrico: o kWh do mês passado deixa de ser o do ano que vem. O projetista pergunta isso e deixa folga no inversor. No simulador o caminho honesto é subir o kWh informado e rodar de novo — não somar placas no olho. O critério de aparelho novo está em quantas placas preciso?.

Como ler o prazo do PDF contra o da tela

Três orçamentos, três prazos. Antes de achar que o menor ganhou:

  • o kWp (tamanho do gerador no papel) é o mesmo? Dez placas de 400 W e oito de 500 W podem gerar o mesmo; compare potência, não foto de módulo;
  • a geração mensal declarada está no mesmo planeta da sua média de 12 meses?
  • o prazo do vendedor embute inflação de tarifa de 8% ou 10% ao ano? O prazo em anos desta tela não faz isso; o gráfico de 10 anos, sim, com 5,6% de premissa;
  • autorização da concessionária e padrão estão no total ou “à parte”?

Prazo milagroso no papel, no ofício, quase sempre é premissa — não milagre de compra. Peça a inflação que eles usaram. Se o número estiver longe do desta página, a pergunta é o que entrou (ou saiu) do pacote, não se “a internet errou”. Sombra e telha só o projetista vê: o que o campo avalia.

O prazo é essa divisão à vista. Compare com o PDF; não trate o número como data contratual de “investimento pago”.


Nesta faixa de assunto

Engenheiro Eletricista

Henrique Corrêa

Fundador do Minha Placa Solar. Os textos cruzam as premissas públicas do simulador com o enquadramento da ANEEL para a geração distribuída. Não é memorial, não é ART e não é serviço de instalação.

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