Créditos de energia solar: como funciona a compensação, os 60 meses e o Fio B
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Quem gera no pico solar e consome depois das 18 h não “anula” o kWh na hora: injeta, vira crédito, e tira da rede à noite. Em muita casa isso é aceitável. Em comércio que abre à noite, carro elétrico na madrugada ou gerador superdimensionado no inverno, a média do mês mente.
O prazo de retorno trata esses dois kWh como se fossem o mesmo: divide o custo estimado pela economia do mês, com o kWh médio que você informou. Não usa hora. Não usa estação. Não usa validade de crédito.
A média do mês não é o turno
O formulário pede consumo mensal. O motor estima geração mensal a partir do tamanho do gerador (kWp), do sol médio do Estado (HSP — Horas de Sol Pleno), de 30 dias e dos 80% de rendimento. Cruza os dois totais. Não pergunta se a máquina de lavar liga ao meio-dia ou à noite.
Geração em telhado brasileiro concentra nas horas de sol. Residência típica puxa chuveiro elétrico e iluminação no fim da tarde. Fogão de indução ou cooktop elétrico, quando houver, soma nesse turno — na maior parte das casas o fogão ainda é gás. O excesso do meio-dia vira crédito de compensação. A carga da noite volta da rede e abate esse crédito — com o pedágio de uso do fio que o modelo resume no fator 30% (ordem de grandeza, não a TUSD Fio B da lei).
Dois perfis, o mesmo 400 kWh no mês:
- home office com micro-ondas e split no horário comercial: boa parte da geração encontra carga na hora;
- família fora o dia todo, chuveiro elétrico às 19 h, carro na tomada às 23 h: a maior parte vira crédito.
A tela devolve o mesmo número de placas e o mesmo prazo se kWh, Estado, ligação e reais forem iguais. O projetista, não. Perfil horário entra na visita, não no formulário — o mesmo limite descrito em o que o campo avalia.
O estudo de 500 kWh já aponta o comércio miúdo: iluminação e câmara no expediente versus carga depois das 18 h. Aqui o ponto é o prazo: cada kWh que só existe como crédito depende de ainda haver crédito válido quando a casa puxar rede.
Carro elétrico agrava o turno. Deslocamento urbano que some 200 kWh no mês entra no campo de consumo — recorte de quantas placas preciso. Carregar só de madrugada não muda esse total; muda quanto da geração do telhado você usa na hora. A tela não tem slider de “hora de carga”.
Sessenta meses e o crédito que some
No marco atual da ANEEL, o crédito acumulado não é eterno. A referência usual é a validade de até 60 meses (cinco anos) para compensar no mesmo titular (REN 1.000/2021). A Lei 14.300/2022 trata do SCEE; o prazo de validade do saldo é regra da Agência. Isto não é consultoria jurídica nem a fatura da sua distribuidora: quem for protocolar o sistema na concessionária confirma as regras do seu caso.
O que isso faz no prazo da tela: nada. A divisão à vista assume que a economia mensal se repete enquanto o custo-base não zera. Crédito que prescreve sem uso é economia que não aconteceu. O modelo não guarda saldo, não vira o calendário e não avisa “você vai sobrar 80 kWh todo inverno”.
Quem dimensiona no pico do verão e viaja três meses no meio do ano empilha crédito. Se o gerador for folgado demais, parte desse saldo pode vencer. Dimensionar na média de 12 meses — o conselho da leitura de fatura — reduz esse risco; não o elimina.
Sinais de que a média está maquiando o prazo:
- kWh de dezembro é o dobro de junho e você colou só o verão;
- segunda casa ou crédito gerado numa unidade e abatido em outra (SCEE remoto) — a tela é de uma unidade consumidora (o “RG” da casa na concessionária), um relógio;
- comércio que fecha domingo e feriado com telhado gerando igual.
Nesses casos o número de placas ainda pode ser um ponto de partida honesto. O prazo em meses, não.
O pedágio da fiação na energia que volta (Fio B)
A “nova conta” da tela não é só o mínimo da rede. O motor compara esse piso (30, 50 ou 100 kWh × tarifa, grupo B) com um pedágio simplificado: kWh compensado acima do piso × tarifa × 0,3. Cobra o maior dos dois e soma a COSIP de exemplo (não a da prefeitura). Detalhe do mínimo — e o exemplo em que trifásico pede menos placas e deixa mais reais no boleto — está em 30, 50 ou 100 kWh.
Quanto mais energia passa pela compensação (gera de dia, consome de noite), mais o Fio B real pesa. O fator 30% não copia a conta da concessionária nem o calendário da Lei 14.300: incide sobre o R$/kWh inteiro que você informou, não sobre a fatia TUSD Fio B. Para sistema protocolado depois de janeiro de 2023, em 2026 a lei cobra 60% do Fio B naquele ano (75% em 2027, 90% em 2028); não fica 60% pelos 25 anos da tela. Na fatura o típico é piso mais Fio B legal mais COSIP — não o máximo desta tela. Conta fechada na metodologia.
Por isso duas casas com o mesmo kWh mensal podem ver boletos residuais diferentes depois de autorizar na concessionária, mesmo que a tela tenha empate. Uma coincidiu carga com sol; a outra comprou crédito o mês inteiro.
O prazo da tela também não inclui limpeza, troca de inversor, juros do banco nem a autorização da concessionária — lista do artigo de prazo de retorno. Prescrição de crédito e perfil horário entram nessa mesma coluna: fora do numerador e do denominador.
Quando vale rodar de novo
Rode o simulador de novo quando o kWh médio mudar de verdade: split novo, carro na garagem, home office que acabou, comércio que estendeu o expediente. Não rode de novo só para “simular o turno” — a tela não tem esse eixo.
Use o prazo que aparecer como ordem de grandeza, do mesmo jeito que o custo aparece em faixa. Se o hábito for noturno ou o gerador for claramente folgado no inverno, trate o número como teto otimista e leve o perfil para o projetista.
Nesta faixa de assunto
Engenheiro Eletricista
Henrique CorrêaFundador do Minha Placa Solar. Os textos cruzam as premissas públicas do simulador com o enquadramento da ANEEL para a geração distribuída. Não é memorial, não é ART e não é serviço de instalação.
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