Custo de disponibilidade: por que a conta de luz nunca zera (30, 50 ou 100 kWh)

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Custo de disponibilidade: por que a conta de luz nunca zera (30, 50 ou 100 kWh)

A concessionária cobra um mínimo para a casa continuar ligada em baixa tensão (grupo B): 30 kWh se a ligação for monofásica, 50 kWh se for bifásica, 100 kWh se for trifásica. Só o que passa desse piso entra na conta de placas. Se a fatura tiver demanda em kW (grupo A), este modelo não se aplica.

Não é um detalhe de rodapé. No Paraná, 400 kWh no mês vira 8, 7 ou 6 placas só porque a ligação mudou. O kWh da fatura é o mesmo. O Estado é o mesmo. O módulo continua 585 W, o rendimento 80%, a margem +1.

Onde achar o tipo de fornecimento no PDF está em como ler a conta de luz. A fórmula fechada está na metodologia. Aqui o recorte é o piso: o que ele faz no número de módulos e o que sobra no boleto depois do gerador.

O que está escrito na fatura

Custo de disponibilidade é o mínimo que a concessionária fatura de energia mesmo quando o telhado gera. Vale para grupo B. No modelo, esse mínimo não é um real fixo: é um kWh fixo por tipo de ligação, o mesmo 30/50/100 da regulação de referência da ANEEL (REN 1000) que o motor usa.

A ligação não se escolhe no palpite. Está no quadro de fornecimento da fatura — monofásico, bifásico ou trifásico. Trocar o seletor no formulário “para caber menos placas” inventa uma unidade consumidora (o “RG” da casa na concessionária) que não é a sua. Trocar o padrão de entrada — quadro e medidor na calçada ou no muro — é visita e, se for o caso, obra; não é clique.

Depois do desconto:

  • monofásico: o que sobra para o gerador = kWh − 30
  • bifásico: kWh − 50
  • trifásico: kWh − 100

Se o consumo informado for menor ou igual ao piso, a tela nem dimensiona — não há o que compensar além do mínimo da rede. Por isso fatura miúda e trifásica travam juntos: 90 kWh trifásico, neste modelo, não gera kit.

Paraná, 400 kWh: 8, 7 ou 6

Paraná, 400 kWh: 8 placas na monofásica, 7 na bifásica e 6 na trifásica

HSP do Paraná no modelo: 4,3 (Horas de Sol Pleno — o sol médio do Estado). Consumo 400 kWh. Três ligações, três geradores.

Monofásico — 370 kWh a compensar (o kWh da fatura menos o mínimo da concessionária). 370 ÷ (4,3 × 30 × 0,8) = 3,59 kWp (tamanho do gerador no papel). Sobe, soma a margem: 8 placas.

Bifásico — 350 kWh. 350 ÷ (4,3 × 30 × 0,8) = 3,39 kWp. 7 placas — o número do estudo de 400 kWh.

Trifásico — 300 kWh. 300 ÷ (4,3 × 30 × 0,8) = 2,91 kWp. 6 placas.

LigaçãoPisokWh a compensarkWpPlacas
Monofásico303703,598
Bifásico503503,397
Trifásico1003002,916

Cem kWh a menos para o gerador, neste clima, tiram duas placas em relação ao monofásico. Não é “trifásico é melhor”: é menos energia compensável e, na fatura residual, mais piso.

Minas Gerais (HSP 5,0), os mesmos 400 kWh, não repetem o degrau triplo: monofásico fecha em 7, bifásico e trifásico empatam em 6. O piso muda o kWp; o arredondamento +1 às vezes engole a diferença. Por isso esta página usa o Paraná como prova — é o Estado em que os três seletores saem com três contagens.

Outras faixas, só para não generalizar o 8/7/6. Minas, HSP 5,0:

Consumo na faturaMonoBiTri
300 kWh554
400 kWh766
500 kWh887
600 kWh1099

Em 300 kWh, só a trifásica cai um módulo. Em 500 kWh bifásico, o 50 kWh é 10% da fatura e o degrau reaparece na trifásica. Cada linha é o modelo, não regra de três.

A HSP de cada Estado, travada em 400 kWh bifásico, está na tabela dos 27 Estados.

A nova conta não zera

Sistema ligado à rede continua preso à concessionária. A tela monta uma nova conta estimada: o maior entre o mínimo da rede (30, 50 ou 100 kWh × tarifa do modelo) e um pedágio simplificado de 30% sobre a energia compensada, mais uma COSIP de exemplo (R$ 20 / 35 / 50 conforme a ligação). Isso não é a taxa oficial da Lei 14.300: TUSD Fio B é uma fatia da TUSD; em 2026, para sistema protocolado depois de janeiro de 2023, a lei cobra 60% do Fio B naquele ano, não 30% da tarifa cheia. O percentual sobe no calendário (75% em 2027, 90% em 2028) e não fica 60% para sempre. Na fatura real o típico é piso mais Fio B legal mais a COSIP do município — não este máximo. A COSIP é contribuição municipal (art. 149-A da Constituição), não função do tipo de ligação. Não é o boleto da sua distribuidora. Não é a CIP da sua prefeitura.

O ponto editorial é outro: trocar a ligação muda placas e muda o que sobra para pagar.

Exemplo numérico do motor, Paraná, 400 kWh e fatura de R$ 480 (valor ÷ kWh = R$ 1,20; a nova conta usa a tarifa depois de tirar a COSIP de exemplo):

LigaçãoPlacasNova conta da tela
Monofásico8cerca de R$ 148
Bifásico7cerca de R$ 152
Trifásico6cerca de R$ 158

Trifásico pede menos módulos e deixa mais reais no boleto: o piso de 100 kWh e a COSIP de exemplo mais alta pesam (R$ 50 neste modelo, não a taxa da prefeitura). Quem escolhe trifásico no seletor para “caber 6 placas no telhado” está, neste exemplo, comprando gerador menor e conta residual maior. Os valores mudam se o R$ da fatura mudar — a tarifa que entra na nova conta é (valor − COSIP de exemplo) ÷ kWh, não os R$ 1,20 de valor ÷ kWh.

O prazo de retorno da tela usa essa economia mensal. Essa divisão não vê crédito que prescreve nem turno de carga: isso está em o que o prazo não vê.

Trocar de ligação no formulário

Use a ligação impressa. Se o PDF diz bifásico, o 7 do Paraná em 400 kWh é o número comparável ao WhatsApp. O 6 da trifásica é de outra unidade.

Mudar o padrão de entrada (mono ↔ bi ↔ tri) é projeto e concessionária, não atalho de formulário. Depois da obra, aí sim rode de novo: o piso novo é o da nova fatura. Se o PDF fugir do 8/7/6 desta página, a pergunta é HSP, consumo ou ligação diferentes deste exemplo.


Nesta faixa de assunto

Engenheiro Eletricista

Henrique Corrêa

Fundador do Minha Placa Solar. Os textos cruzam as premissas públicas do simulador com o enquadramento da ANEEL para a geração distribuída. Não é memorial, não é ART e não é serviço de instalação.

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