Metodologia do simulador: como calculamos placas, área e retorno

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Metodologia do simulador: como calculamos placas, área e retorno

Potência pico (kWp) = consumo a abater ÷ (HSP × 30 × 0,8). Em seguida divide por 585 W, arredonda para cima e soma 1 placa. Consumo a abater é o kWh da fatura menos 30, 50 ou 100 kWh — monofásico, bifásico ou trifásico.

Em português: a tela tira o mínimo da concessionária do seu kWh, calcula o tamanho do gerador com o sol médio do seu Estado e um rendimento global de 80% (inversor, cabo, sujeira e temperatura, juntos), divide pela placa de 585 W e ainda soma 1 placa. Rendimento 80% não é 20% a menos no kWh da fatura: para gerar o mesmo kWh o kWp sai cerca de 25% maior do que numa conta sem perdas (÷ 0,8). Não é a eficiência escrita na caixa da placa. HSP é só o nome curto de Horas de Sol Pleno — quantas horas de sol “cheio” o Estado rende, em média, por dia. kWp é o tamanho do gerador no papel, em condição padrão de ensaio (STC).

Essas cinco regras — módulo de 585 W, rendimento de 80%, HSP do Estado, placa extra e o mínimo da rede — são o modelo desta biblioteca.

O que entra no formulário (kWh, Estado, aparelho novo) está em Quantas placas preciso?. Três estudos aplicam o modelo a uma faixa: 300, 400 e 500 kWh. A HSP dos 27 Estados no mesmo 400 kWh bifásico está na tabela por Estado; o piso 30/50/100, em disponibilidade. Orientação, sombra e o módulo do orçamento — o que a tela não pergunta — estão em o que o projetista avalia no telhado.

O que o modelo cruza

Você informa o consumo do mês (kWh), o valor da conta (R$), o Estado e o tipo de ligação. A tela cruza isso com o sol médio do Estado e com o mínimo que a concessionária cobra para a casa continuar ligada:

  1. Consumo em kWh e sol do Estado: o kWh que você digitou encontra a HSP média daquele Estado, com referência de trabalho no SUNData (CRESESB/CEPEL) e no Atlas Brasileiro de Energia Solar (INPE/LABREN) no ponto do município — dois mapas, não o mesmo produto. Aqui a constante é média estadual arredondada. Município de serra e litoral, no mesmo Estado, não geram igual; o projetista confirma o ponto da rua.
  2. Rendimento de 80% (0,8): o modelo assume que o sistema entrega 80% da energia que o kWp geraria com aquela HSP (inversor, cabo, sujeira e temperatura, juntos). Por isso o kWp sai ÷ 0,8 — cerca de 25% a mais de potência do que numa conta sem perdas. Não é 20% a menos no kWh da fatura nem a eficiência escrita na caixa da placa.
  3. Mínimo da rede (grupo B): 30, 50 ou 100 kWh conforme a ligação (monofásica, bifásica ou trifásica), em baixa tensão. Fatura com demanda em kW (grupo A) fica de fora. O consumo a abater — o kWh que entra na conta de placas — é o da fatura menos esse piso.

A conta do kWp

Como o modelo chega no kWp: tira o mínimo da rede, divide pelo sol do Estado e pelas perdas, depois pela placa de 585 W

PremissaO que o modelo usa
Placa de referência585 W
Rendimento global80% (perdas agregadas)
Sol do EstadoHSP média do Estado (Horas de Sol Pleno)
Folga+1 placa
Mínimo da rede30, 50 ou 100 kWh, grupo B, conforme a ligação

A conta do tamanho do gerador é esta:

Potência pico (kWp) = consumo a abater ÷ (HSP × 30 × 0,8)

Em que:

  • Consumo a abater = consumo mensal (kWh) − 30, 50 ou 100 kWh (grupo B, conforme a ligação);
  • HSP = Horas de Sol Pleno médias do Estado;
  • 30 = número de dias do mês adotado no modelo;
  • 0,8 = fator global de rendimento de 80%.

Quantidade de Placas

A estimativa converte o kWp para watts, divide pela placa de 585 W, arredonda para cima e soma 1 placa — a margem extra do modelo.

O caminho dos dados

  1. Você cola o kWh e o valor da fatura e escolhe Estado e tipo de ligação.
  2. A tela tira o mínimo da concessionária (30, 50 ou 100 kWh).
  3. O que sobrou encontra o sol médio do Estado (HSP) e os 80% de rendimento.
  4. Sai o tamanho do gerador (kWp). Divide pela placa de 585 W e soma 1.
  5. Com o custo-base e a “nova conta”, a tela estima o prazo de retorno: custo ÷ economia do mês, sem juros.

O que esta estimativa entrega

O modelo não escolhe marca de placa, inversor nem empresa. Com as regras acima, a tela devolve uma ordem de grandeza de:

  • o tamanho aproximado do gerador (kWp);
  • a quantidade de placas (módulo de 585 W + 1 extra);
  • a nova conta, já com o maior entre o piso da rede e o pedágio simplificado de 30%, mais COSIP de exemplo;
  • o prazo de retorno à vista (custo ÷ economia do mês).

O que fica de fora, no detalhe

Uma conta na internet não substitui o projeto no telhado. A tela não prevê:

  • ❌ Sombreamentos pontuais causados por árvores, chaminés ou edifícios vizinhos.
  • ❌ Condições estruturais, inclinação ou orientação exata do telhado.
  • ❌ Reforço de telhado ou troca do padrão de entrada — o quadro e o medidor na calçada ou no muro.
  • ❌ Frete, içamento ou acesso difícil ao telhado.
  • ❌ A tela não usa a tarifa oficial da concessionária: estima o preço do kWh dividindo o valor da sua conta pelo consumo, depois de descontar uma COSIP de exemplo (R$ 20 / 35 / 50) — não a linha da prefeitura.
  • ❌ O motor usa hoje um percentual simplificado de 30% sobre o R$/kWh informado, como “pedágio” da fiação, e na nova conta fica com o maior entre esse pedágio e o piso da rede. Isso não copia a Lei nº 14.300/2022 nem a conta da sua distribuidora. TUSD Fio B é uma fatia da TUSD. Para sistema protocolado depois de janeiro de 2023, em 2026 a lei cobra 60% do Fio B naquele ano sobre a energia compensada; o percentual sobe no calendário (75% em 2027, 90% em 2028) e, a partir de 2029, vale a regra da ANEEL. Não é 30% da tarifa cheia e não fica 60% pelos 25 anos da tela. GD I (protocolo até o início de 2023) segue outra regra. Na fatura real o típico é piso mais Fio B legal mais COSIP municipal — não este máximo.
  • ❌ O custo de inversor por faixa de placas é um preço de exemplo, não o tamanho elétrico certo do inversor.
  • ❌ O prazo de retorno é uma divisão simples (custo ÷ economia do mês), sem juros compostos nem inflação futura da tarifa. O gráfico de 10 anos na tela é outra conta (economia inflacionada vs. juros de poupança de premissa).
  • ❌ A área (2,58 m² por módulo) é só o painel, sem corredor de manutenção nem afastamento entre fileiras.

Por que dois orçamentos reais podem divergir?

Mesmo com o mesmo kWh, dois PDFs divergem: folga que cada um coloca, marca da placa, inversor pequeno em cada módulo (microinversor) ou um inversor só para a fileira, mão de obra da cidade e inflação de tarifa que cada um embute.

A fórmula desta página é essa divisão. Dois PDFs distantes dela quase sempre mudaram premissa — watt, HSP ou o que entrou no pacote — não “a internet errou”.


Nesta faixa de assunto

Engenheiro Eletricista

Henrique Corrêa

Fundador do Minha Placa Solar. Os textos cruzam as premissas públicas do simulador com o enquadramento da ANEEL para a geração distribuída. Não é memorial, não é ART e não é serviço de instalação.

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